Recebi um convite lindo de uma amiga (Carina - @destempero), para participar da 'Confraria de Verão', do blog Confraria dos Trouxas. Escrever no meio de tantas feras foi um desafio que, confesso, me assustou um pouco.
Mas, é uma honra pra mim estar lá! E quanto ao blog, super indico!
Abaixo, o texto que escrevi especialmente pra Confraria.
Quando
estou só, eu corro. Fujo de mim em busca de um alguém que não encontro.
Entre
ruas desertas, ecos sombrios de almas que vagam, grito por socorro. – Socorro!
Ninguém me ouve. ... Você me escuta?
Corro
ainda mais, estou só. ... Você me segue escondido?
Sei
que não fiz nada, mas devo pedir desculpas por te amar tanto assim? ... Você me
ama? Não se desculpe.
Não
temo a solidão de ser sozinha, mas tenho medo da solidão de não ter você
comigo. Sua ausência é o meu maior fantasma.
Solidão
maior é o descompasso de não saber sentir. Eu sinto tanto, que já não sinto
mais nada. Meus excessos me anestesiam e consomem. Existo mais do que posso.
Hoje eu não sinto nada, mas sei que o nada passa. Um dia voltarei a transbordar com o receio de sucumbir por não suportar a densidade do mar que desemboca em um frágil rio.
Hoje eu não sinto nada, mas sei que o nada passa. Um dia voltarei a transbordar com o receio de sucumbir por não suportar a densidade do mar que desemboca em um frágil rio.
Hoje,
mar morto. Amanhã, não sei.
Por
ora, o breu me consome, mas talvez exista luz em algum lugar no meu dentro. Os
buracos são profundos e precisarei encontrar sozinha. ... Sozinha não, me
ajuda?
Pior
do que não sentir nada, é sofrer com a inexistência de sentidos. Eles existem,
mas não sei quais são. Sei, mas não os encontro ou procuro. Busco, mas não os
quero.
Uma
existência dialética? Não! Apenas uma alma inquieta que não se acomoda ao que
existe. ... Por ser assim, eu te incomodo?
Sou
complexa, eu sei. Mas, sou apenas complexa. E isso é simples.
Desacelero
o passo. Permaneço só. Ando só. Eu, que quando só, corro.
Recorro
ao tempo, que não cura, mas ameniza pela distância que cria entre o fato e o
sentimento. Fatal. Não conseguirei ir se não vier comigo.
Vou
te esperar.
Fica
aqui. Sem adeus. Ai, deus.



