segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Desejos nos ex-passos...

MUITO                                                SE                                           


                                                                                                              DIZ
                                            
                                
                                             NO                              


                                                                                POUCO            



        QUE                                                   SE                                        


                                                                                                                              ESCREVE.
Pois é no silêncio dos espaços que residem os mais verdadeiros desejos. 


 

quarta-feira, 24 de agosto de 2011

O tempo da pausa de um longo des-escrever






hiatos agudos
linhas sem letras
sentimentos lacrados
consoantes os bloqueios
vogais que vagam perdidas
num mundo que gira e não fala
rascunhos de um papel em branco
sobre o amor amado, amassado
nos desalinhos, um desabafo
e um mudo grito não-dito
fica de lado no tempo
afagos que apagam
atento ao relento
o quase que era
se desespera
reverbera
e já era. 

segunda-feira, 18 de julho de 2011

Sobre o presente, um conto de presente

"Foi-se o caso em que era uma vez numa terra distante a moça. A moça era. Era tanto que excedia em ser, e se atrapalhava toda em estar."

Por Talita Prates.
Para mim. 

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Absinto

Só sei que nada sinto! Sinto o nada. Só.
Às vezes, tenho a sensação de que viver é mais do que posso, de que a dor sentida é mais do que suporto sentir.
Quando tudo se esvai, o mar desemboca no rio, que sucumbe por não suportar sua densidade. Doce alma, salgada desalma. Um nada cheio de tudo, um todo ausente, silente. Mar morto.
Pudera minhas lágrimas traduzir em palavras a dor que me rasga o dentro, muito embora eu desconheça palavras que correspondam com exatidão às dores. Na verdade, nem sei se existe algo que expurgue a dor de um coração.
Uma das provas de que Deus não nos fez, está na ausência de portas em nossos corações.  - Me faça sofrer e eu lhe fecho a porta! Diante da dor, eu fecho a porta. Divino seria, humana sou.
No desespero de sentir, espero a dor partir. “Tout va passer” soa como um mantra.
Não tenho medo do abismo. Conheço bem suas ruas e esquinas escuras. O que me amedronta é a zona do meio, esse mal-estar cujo frisson letárgico me antecipa a sensação de morte.
Estar viva sem viver, existir pela metade. Existência hiata, inata a quem respira vazios e angústias. Nós que não se desatam. Eu, você, nós!
Linhas que não mais se cruzam. Restos de retas arestas!
No mínimo do que sou, a minha máxima intensidade.
Sepultados ontens, ressuscitados no amanhã, com instantes de saudades distantes.
Um ponto. De encontro. – reencontro. O ponto de partida, que me arrepia a alma e faz com que eu sinta, que absinto.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

O que não tem nome, remediado está

Às dores que não têm nome, que não cabem no peito, que se impõem soberanas diante de uma frágil alma...
Aos medos que não têm nome, que se fantasmagorizam no imaginário, por vezes não tão flutuante assim.  Reais, ilusórios, grandes, simbólicos, insubestimáveis, por cautela!...
Às angústias que não têm nome, indecifráveis e antigas conhecidas, que espremem um coração, que deixa de respirar pra permanecer batendo. Máximo esforço, mínima atividade. Eis a angústia de não saber o que se passa...
Aos vazios que não têm nome, fartos pelas faltas, cheios de nadas... hiatos, desejos, sonhos, escuros, cores e buracos.  São nomes que não nomeiam, pontos que não apontam, setas que perfuram sem direcionar...
Às desestruturas que não têm nome, aos despedaços perdidos ao léu... linhas e letras que não mais aderem, não conseguem (re)significar....
O papel tudo aceita, a vida não.  O silêncio clama um novo sentir, novas linhas escritas. Outras, não mais estas, .... não hoje, talvez num amanhã que ainda não tem nome...